Estou tentando escrever, mas não consigo. Eu vou deitar e rolar, mas vou pensar em você. Eu vou pra outro lugar que ninguém pode ver. Quero tomar um Rivotril e tentar esquecer. Nem se o que está feito é de fato, ou foi só um delírio. Se fui eu mesmo que passei tanto tempo no escuro.
Eu levantei, ei, fechando mais um ciclo.   
Eu falei tantas vezes e voltei atrás.
Eu já briguei com a minha irmã e magoei os meus pais.
Eu já passei tanto sufoco.
Eu já sofri demais.
Eu já virei do avesso o meu DNA.
Eu já voltei a ser um bebezinho.
Eu já era um peso vivo.
Eu já estava morto.
Eu já sambei dobrado.
Eu já.
Eu já chorei como criança que perdeu a bico.
Eu já gritei, vociferei, quebrei, vendi, troquei, voltei, nem, mas é aqui que eu fico.
Eu já gemi de soluçar, eu já pedi arrego.
Eu já falei tantos ais...

Eu quero paz e nada mais, daqui pra frente o futuro.

homem


para aqueles que têm a missão de se libertar "os grilhões do dever" como uma primeira vitória no caminho para tornar-se homens livres.




Pedro,

Você que é um conhecedor das representações semióticas de Deleuze, em estágio avançado, saberá o que estou dizendo.
Passei um período de tempo sendo, o que Artaud chamou de “corpo sem órgãos”. Conceito... o que, afinal, é o conceito de um conceito?
O conceito é senão um signo algo que qualifica, sugere por sinais um sistema de representações múltiplas e nelas aponta, revela, declara, afirma outra apreciação da vida. O conceito de “um corpo sem órgãos” é um estagio de gravitação entre o poder dominador e/dominante do pensamento e a existência em outros planos. O ser em si mesmo como sujeito pensante.
Onde habitam as outras facetas da existência? Talvez não conheçamos realmente aquilo que abriga em si o verdadeiro conceito de existir, ser.

“Como? O homem seria tão-somente um equívoco de Deus?
Ou então seria Deus apenas um equivoco do homem?”¹


Acontece de sermos aquilo que não é. Aquilo que nos pensávamos ser. Acontece de nos tornarmos algo que, sem ver, que coexiste num plano que não se verifica in loco, mas abstratamente. Acabamos por não existir no plano de imanência, senão em outro platô que comporta a transmissão, a arena basilar de signos.
Paradoxalmente, além de não orgânico, o corpo sem órgãos é sagrado, mágico, espiritual, não existe corpo sem espírito, nem espírito sem corpo.
A “carne do espírito” princípio monista. unidade corpo/espírito que é um dos princípios da Etnocenologia. A concepção monista corpo/espírito pode levar a uma metafísica de sublime interpretação lógica.
veja, a metafísica é primordial para a concepção das ideias. As manifestações metafísicas se concebem como união e unidade do concreto com o abstrato, sendo uma prolongação ou ressonância recíproca da física. É uma prática monista, sem rupturas, como é a prática de nossa poética invisível.
Esta dimensão metafísica transcende o fato de ser somente um corpo, colocando-se diretamente em contato com o espírito e com o inconsciente.


“Os poetas são imprudentes com as próprias aventuras — desfrutam-nas.”²


Tornei-me escravo da não existência no plano cibernético. Criei ad infinito um rasto de que somente é ou foi. Registro autobiográfico de um corpo cuja alma um dia chorou.
                                                                                                

“Amo aquele cuja alma transborda, a ponto de se esquecer de si mesmo e quanto esteja nele, porque assim todas as coisas se farão para sua ruína.”
³



¹ ² Além do bem e do mal
³ Assim falou Zaratustra



Nietzsche

um breve Adeus



Belo Horizonte, 5 de fevereiro de 2014.

Pai e mãe,



“A felicidade repousa na consciência triunfante de potência e vitória” escreveu Nietzsche.

Sabe, eu acredito nisso. Tenho a consciência de haver reunido o que havia de mais sagrado em mim, meus textos. Manejar uma língua sempre sobre mesmo tema, é um exercício para um louco descabido ou um para dicionarista de sinônimos. Já não caibo em mim mesmo, já não sento a mesa com vocês na hora das refeições, já não consigo escrever. Quando não pude mais dormir aprendi a escrever e escrever já não se sabe se consigo, mim comigo. Tenho pressa. O sol se levanta. Quero ir pra cama. Dormir o sono de um anjo, nas pálpebras caídas de um santo católico que bebeu muita cerveja, não se consegue digno da atenção de alguém que leia. Tenho pressa de ir ao encontro de mim mesmo e não ligo para locuções verbais, como um pára-quedista nas figuras flutuantes de Chagal, o russo. A rainha do céu me chama. Não há nada no chão, onde busquei a mim mesmo. Nenhum pedaço minúsculo de droga que talvez eu haja perdido. que 

linha de pesca

ensinamentos do Buda

Viver é a estrada para a não-dualidade
Porque o não-dual é uno com a
mente confiante

Palavras!
o Caminho está além da linguagem,
pois nele não há
nem ontem,
nem amanhã,
nem hoje.

Osculum


Estou aqui. Atrás dessas palavras a sua frente em frente o PC. Estou aqui ouvindo Lauryn Hill acústico MTV. Estou por aqui. E porque eu deveria escrever essas palavras? Linguagem – sistema estrutural de signos. Uma coisa que está no lugar de outra coisa – idéia. Porque eu devo escrever?
Não há mais nada em mim, senão a coisa em si.
Tentei
parar de escrever não consegui.
Vou romper de repente como um raio numa tempestade. Vou cair do galho no final da tarde. Vou virar semente e viver por toda eternidade. Vou pra casa do caralho ouvir e rir. Não quero mais o sol nascente. Não mais ranger de dentes
, est me free
. Desesperação pra que? A vida é leve a vida. Você gozava suas podres delícias e eu fiquei azedo. Sem voz e sem você. E eu fiquei com medo. I guess I was afraid so afraid.
E eu sem mim se perdeu.
Onde foi?
Onde se meteu?
Sinto, sinto muito...

...please touch me Lord Jesus

teach me




Os livros que li em 2013

lady luly

Ladies in Luluchaca
In el Country of Eldorado

Ula ula hana hana glu glu. Saudades àqueles que já sonham. Também àqueles que não sonham, pois a própria vida é um sonho, indiferentemente. Se pegar no ar algum pensamento ou vibração. Um devir de sonho, como uma onda sonora, que retransmite as notas suaves do Quinteto. O casamento de outras ramas rizomáticas que se perfilam e se cruzam. Alguma coisa que se renova – um novo bulbo. A ponta se ramifica em mil ramas. Mil Ladies glu glu. Alguém ama somebody loves o passado. Retira as farpas, recolhe os cacos. A mistura do calor e da alta umidade em Luluchaca fazia com que as pessoas, partidas ao meio pela linha do Equador, se vestissem menos. Por isso eram obrigados a se exporem mais, E se expunham juntos, à frente, ideias, pequenos ruídos e conflitos. Continha os números sorteados como em um sonho. Era a vida, o próprio esclarecimento. E também o seu próprio dicionário.



veja e ouça

kill the evil

escrever...


Face a face com o amigo


Revendo amigos


Sim, dois mil e treze foi um ano ruim no meu calendário. Passei um arrego doido. Em março tentei o auto-extermínio. Ato desesperado que não penso em fazer de novo. Passei oito dias dentro de um hospital psiquiátrico...
Quando saí fiquei surpreso ao saber que o amor tinha acabado. Eu não vi, ou não quis ver. Fiquei cego.
Soava como uma crônica do absurdo. Parecia que as pessoas falavam grego. Eu não queria entender o que diziam, e por isso além de cego eu fiquei surdo.
O anjo havia aberto o sétimo selo.  O Supremo Criador não aguardou meu arrependimento. 
Ninguém se desculpava pelo desmazelo. Ninguém pedia perdão pela orgia e pelo desregramento. Eu não entendi bem quais eram as regras de um bom comportamento, ou fingia não ter entendido. Foi assim.
Eu não interpretei os índices e sinais do acaso. Eu realmente não contava com isso Eu não previ o abalo sísmico. Tudo estava desmoronando. O meu particular fim-do-mundo.
O término de um relacionamento após uma tentativa de suicídio.
Um cenário insólito, surreal, irreal, bizarro.
Eu não sabia como reagir com o desenrolar dos acontecimentos.
Eu reclamei baixinho. Chorei sozinho no chão do quarto, no tapete atrás da porta. Ouvia Pink Floyd no escuro. Senti-me culpado de ter nascido. Vociferei minha sanha aos quatro ventos e entrei pra dentro de mim mesmo.
Esqueci que o amor foi inventado. Que ele é fogo que arde sem se ver. Um contentamento descontente. É ter com quem nos mata, lealdade.
queria explicar que aquilo foi uma infantilidade. Queria pedir perdão por tudo. Dizer que só queria ser amado. Que eu faria “tudo certo” como 2 e dois são 4. Mas como diz aquela canção do Roberto, de fato 2 e 2 são cinco.

To be continued...