Eu só queria dizer um breve adeus. "(...) sentei em uma café chorando e escrevi para minha mãe (...)"
Adeus
com longos sapatos pretos
Adeus
corsetes sedutores e
costeletas de aço
adeus
partido comunista e meia furada
partido comunista e meia furada
Ó mãe
Adeus
Adeus
com seis vaginas e olhos
cheios de dentes e uma longa barba negra ao redor da vagina
Ó mãe
adeus
incapacidade ao piano de
concerto ecoando três musicas que você conhecia com amantes ancestrais Clemente
Wood Max Bodenheim meu pai
adeus
com seis cabelos pretos no
cisto dp seio
com barriga caída
com seu medo de vó
rastejando no horizonte
com seu olhar de desculpa
com seus olhar de mandolins podres
com seus olhar de mandolins podres
com seus braços de gordas
varandas de Paterson
com suas coxas de
políticas inevitáveis
com sua barriga de greves
e chaminés
com seu queixo de Trotsky
com sua voz cantando para
os trabalhadores quebrados apodrecidos
com seu nariz cheio de
cascas e com seu nariz cheio do cheiro de picles de Newark
com seus olhos
com seus olhos de lágrimas
da Rússia e da America
com seus olhos de tanques
e lança chamas bombas atômicas e aviões de guerra
com seus olhos de porcelana
falsa
com seus olhos de
Tchecoslováquia atacada por robôs
com seus olhos de America
caindo
Ó mãe ó mãe
com seus olhos de Vovó
Rainey morrendo numa ambulância
com seus olhos de Tia
Elanor
com seus olhos de Tio Max
com seus olhos de sua mãe
nos filmes
com seus olhos de fracasso
ao piano
com seus olhos sendo
levado por policiais À ambulância no Bronx
com seus olhos seus olhos
de loucura indo pra aula de pintura na escola noturna
com seus olhos mijando no
parque
com seus olhos gritando no
banheiro
com seus olhos sendo
arrancados na mesa de operação
com seus olhos de pâncreas
removido
com seus olhos de aborto
com seus olhos de operação
de apêndice
com seus olhos de ovários
removidos
com seus olhos de operações de femininas
com seus olhos de operações de femininas
com seus olhos de choque
com seus olhos de
lobotomia
com seus olhos de derrame
com seus olhos de divórcio
com seus olhos sozinha
com seus olhos
com seus olhos
com sua morte cheia de
flores
com sua orte da janela
dourada de sol...
Estou tentando escrever, mas não consigo. Eu vou deitar e
rolar, mas vou pensar em você. Eu vou pra outro lugar que ninguém pode ver. Quero
tomar um Rivotril e tentar esquecer. Nem se o que está feito é de fato, ou foi
só um delírio. Se fui eu mesmo que passei tanto tempo no escuro.
Eu levantei, ei, fechando mais um ciclo.
Eu falei tantas vezes e voltei atrás.
Eu já briguei com a minha irmã e magoei os meus pais.
Eu já passei tanto sufoco.
Eu já sofri demais.
Eu já virei do avesso o meu DNA.
Eu já voltei a ser um bebezinho.
Eu já era um peso vivo.
Eu já estava morto.
Eu já sambei dobrado.
Eu já.
Eu já chorei como criança que perdeu a bico.
Eu já gritei, vociferei, quebrei, vendi, troquei, voltei, nem, mas é aqui que eu fico.
Eu já gemi de soluçar, eu já pedi arrego.
Eu já falei tantos ais...
Eu quero paz e nada mais, daqui pra frente o futuro.
Eu levantei, ei, fechando mais um ciclo.
Eu falei tantas vezes e voltei atrás.
Eu já briguei com a minha irmã e magoei os meus pais.
Eu já passei tanto sufoco.
Eu já sofri demais.
Eu já virei do avesso o meu DNA.
Eu já voltei a ser um bebezinho.
Eu já era um peso vivo.
Eu já estava morto.
Eu já sambei dobrado.
Eu já.
Eu já chorei como criança que perdeu a bico.
Eu já gritei, vociferei, quebrei, vendi, troquei, voltei, nem, mas é aqui que eu fico.
Eu já gemi de soluçar, eu já pedi arrego.
Eu já falei tantos ais...
Eu quero paz e nada mais, daqui pra frente o futuro.
homem
para aqueles que têm a missão de se libertar "os grilhões do dever" como uma primeira vitória no caminho para tornar-se homens livres.
Pedro,
Você que é um conhecedor das representações semióticas de Deleuze, em estágio avançado, saberá o que estou dizendo.
Passei um período de tempo sendo, o que Artaud chamou de “corpo sem órgãos”. Conceito... o que, afinal, é o conceito de um conceito?
O conceito é senão um signo algo que qualifica, sugere por sinais um sistema de representações múltiplas e nelas aponta, revela, declara, afirma outra apreciação da vida. O conceito de “um corpo sem órgãos” é um estagio de gravitação entre o poder dominador e/dominante do pensamento e a existência em outros planos. O ser em si mesmo como sujeito pensante.
Onde habitam as outras facetas da existência? Talvez não conheçamos realmente aquilo que abriga em si o verdadeiro conceito de existir, ser.
Onde habitam as outras facetas da existência? Talvez não conheçamos realmente aquilo que abriga em si o verdadeiro conceito de existir, ser.
“Como? O homem seria tão-somente um equívoco de Deus?
Ou então seria Deus apenas um equivoco do homem?”¹
Acontece de sermos aquilo que não é. Aquilo que nos pensávamos ser. Acontece de nos tornarmos algo que, sem ver, que coexiste num plano que não se verifica in loco, mas abstratamente. Acabamos por não existir no plano de imanência, senão em outro platô que comporta a transmissão, a arena basilar de signos.
Paradoxalmente, além de não orgânico, o corpo sem órgãos é sagrado, mágico, espiritual, não existe corpo sem espírito, nem espírito sem corpo.
A “carne do espírito” princípio monista. unidade corpo/espírito que é um dos princípios da Etnocenologia. A concepção monista corpo/espírito pode levar a uma metafísica de sublime interpretação lógica.
veja, a metafísica é primordial para a concepção das ideias. As manifestações metafísicas se concebem como união e unidade do concreto com o abstrato, sendo uma prolongação ou ressonância recíproca da física. É uma prática monista, sem rupturas, como é a prática de nossa poética invisível.
Paradoxalmente, além de não orgânico, o corpo sem órgãos é sagrado, mágico, espiritual, não existe corpo sem espírito, nem espírito sem corpo.
A “carne do espírito” princípio monista. unidade corpo/espírito que é um dos princípios da Etnocenologia. A concepção monista corpo/espírito pode levar a uma metafísica de sublime interpretação lógica.
veja, a metafísica é primordial para a concepção das ideias. As manifestações metafísicas se concebem como união e unidade do concreto com o abstrato, sendo uma prolongação ou ressonância recíproca da física. É uma prática monista, sem rupturas, como é a prática de nossa poética invisível.
Esta dimensão metafísica transcende o fato de ser somente um corpo, colocando-se diretamente em contato com o espírito e com o inconsciente.
“Os poetas são imprudentes com as próprias aventuras — desfrutam-nas.”²
Tornei-me escravo da não existência no plano cibernético. Criei ad infinito um rasto de que somente é ou foi. Registro autobiográfico de um corpo cuja alma um dia chorou.
“Amo aquele cuja alma transborda, a ponto de se esquecer de si mesmo e quanto esteja nele, porque assim todas as coisas se farão para sua ruína.”³
¹ ² Além do bem e do mal
³ Assim falou Zaratustra
Nietzsche
um breve Adeus
Belo Horizonte, 5 de fevereiro de 2014.
Pai e mãe,
“A felicidade repousa na consciência triunfante de potência e
vitória” escreveu Nietzsche.
Sabe, eu acredito nisso. Tenho a consciência de haver reunido o que havia de
mais sagrado em mim, meus textos. Manejar uma língua sempre sobre mesmo tema, é
um exercício para um louco descabido ou um para dicionarista de sinônimos. Já não
caibo em mim mesmo, já não sento a mesa com vocês na hora das refeições, já não
consigo escrever. Quando não pude mais dormir aprendi a escrever e escrever já não
se sabe se consigo, mim comigo. Tenho pressa. O sol se levanta. Quero ir pra cama.
Dormir o sono de um anjo, nas pálpebras caídas de um santo católico que bebeu
muita cerveja, não se consegue digno da atenção de alguém que leia. Tenho pressa
de ir ao encontro de mim mesmo e não ligo para locuções verbais, como um pára-quedista
nas figuras flutuantes de Chagal, o russo. A rainha do céu me chama. Não há nada
no chão, onde busquei a mim mesmo. Nenhum pedaço minúsculo de droga que talvez
eu haja perdido. que
ensinamentos do Buda
Viver é a estrada para a não-dualidade
Porque o não-dual é uno com a
mente confiante
Palavras!
o Caminho está além da linguagem,
pois nele não há
nem ontem,
nem amanhã,
nem hoje.
Porque o não-dual é uno com a
mente confiante
Palavras!
o Caminho está além da linguagem,
pois nele não há
nem ontem,
nem amanhã,
nem hoje.
Osculum
Estou aqui. Atrás dessas palavras a sua frente em frente o
PC. Estou aqui ouvindo Lauryn Hill acústico MTV. Estou por aqui. E porque eu
deveria escrever essas palavras? Linguagem – sistema estrutural de signos. Uma coisa
que está no lugar de outra coisa – idéia. Porque eu devo escrever?
Não há mais nada em mim, senão a coisaem si.
Tentei parar de
escrever não consegui.
Vou romper de repente como um raio numa tempestade. Vou cair do galho no final da tarde. Vou virar semente e viver por toda eternidade. Vou pra casa do caralho ouvir e rir. Não quero mais o sol nascente. Não mais ranger de dentes, est me free. Desesperação pra que? A vida é leve a vida. Você gozava suas podres delícias e eu fiquei azedo. Sem voz e sem você. E eu fiquei com medo. I guess I was afraid so afraid.
E eu sem mim se perdeu.
Onde foi?
Onde se meteu?
Sinto, sinto muito...
Não há mais nada em mim, senão a coisa
Tentei
Vou romper de repente como um raio numa tempestade. Vou cair do galho no final da tarde. Vou virar semente e viver por toda eternidade. Vou pra casa do caralho ouvir e rir. Não quero mais o sol nascente. Não mais ranger de dentes, est me free. Desesperação pra que? A vida é leve a vida. Você gozava suas podres delícias e eu fiquei azedo. Sem voz e sem você. E eu fiquei com medo. I guess I was afraid so afraid.
E eu sem mim se perdeu.
Onde foi?
Onde se meteu?
Sinto, sinto muito...
lady luly
Ladies
in Luluchaca
In el
Country of Eldorado
Ula ula hana hana glu glu. Saudades
àqueles que já sonham. Também àqueles que não sonham, pois a própria vida é um
sonho, indiferentemente. Se pegar no ar algum pensamento ou vibração. Um devir
de sonho, como uma onda sonora, que retransmite as notas suaves do Quinteto. O
casamento de outras ramas rizomáticas que se perfilam e se cruzam. Alguma coisa
que se renova – um novo bulbo. A ponta se ramifica em mil ramas. Mil Ladies glu
glu. Alguém ama somebody loves o passado. Retira as
farpas, recolhe os cacos. A mistura do calor e da alta umidade em Luluchaca
fazia com que as pessoas, partidas ao meio pela linha do Equador, se vestissem
menos. Por isso eram obrigados a se exporem mais, E se expunham juntos, à frente,
ideias, pequenos ruídos e conflitos. Continha os números sorteados como em um
sonho. Era a vida, o próprio esclarecimento. E também o seu próprio dicionário.
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